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De: 12/12/2018

O último discurso de Arolde de Oliveira na Câmara dos Deputados

Em sua última atuação na Tribuna da Câmara dos Deputados após 36 ano, o deputado federal afirma que “aqui nesta Casa ficou quase metade da minha vida”.

O dia 11 de dezembro de 2018 entra para a biografia de Arolde de Oliveira como a data de seu último discurso como deputado federal. Após 36 anos ocupando uma cadeira na Câmara dos Deputados, o parlamentar fez seu último pronunciamento no plenário da casa relembrando pontos importantes da história do Brasil dos quais fez parte, como a Assembleia Constituinte que deu origem à Constituição Federal de 1988, os impeachments dos presidentes Fernando Collor de Melo e Dilma Roulsseff, assim como seu papel central na democratização das telecomunicações em todo território nacional.

Arolde de Oliveira agora se prepara para assumir o cargo de senador da República para o qual foi eleito pela população do Estado do Rio de Janeiro na eleição de 2018. Todos os membros do Legislativo Federal eleitos no último pleito assumem no dia 1º de fevereiro.

Confira o discurso:

Transcrição completa do discurso:

Trinta e seis anos vindo a esta Tribuna e vivendo intensamente os movimentos desta Casa que escreve a história pragmática do nosso País. Eu estou aqui para me despedir desta Tribuna.

O povo generoso do Estado do Rio de Janeiro, cariocas e fluminenses, me brindou que este 10º mandato parlamentar eu o exercesse na outra Casa, o Senado Federal. Fico muito feliz e grato por isso. Mas aqui nesta Casa ficou quase metade da minha vida, desde o primeiro presidente civil que foi eleito pelo Colégio Eleitoral, Tancredo Neves, com grandes articulações, criação da Frente Democrática Liberal, criação do Partido da Frente Liberal.

Tive o privilégio de participar mais tarde do mandato talvez mais importante e mais emocionante da minha vida: ser membro da Assembleia Nacional Constituinte, onde tive a oportunidade com companheiros, muitos dos quais ainda estão nesta casa, de fazer a Constituição chamada pelo seu presidente Ulysses Guimarães de Constituição cidadã, uma Constituição que restaurou direitos e obrigações individuais e coletivas, uma Constituição que, embora analítica, detalhada, serviu para fazer a transição de um velho Regime para uma nova fase.

Vivi também com tristeza, primeiro com alegria, da eleição do primeiro presidente pelo sufrágio universal direto. Depois a tristeza de ter que votar pelo seu impedimento aqui nesta Casa. Mais tarde, ainda, um outro escândalo de tristeza, chamado de Anões do Orçamento.

Mas tivemos à frente a alegria de vermos aprovada nesta Casa a reforma econômica com o Plano Real, que projetou o país novamente nos rumos do desenvolvimento.

São todos os momentos de emoção, de altos e baixos, que às vezes tenho pena de deixar esta Casa. Até fico triste, meus colegas.

Mas, continuando, tive também uma intensa participação na privatização do setor de telecomunicações do nosso País, tendo sido o relator, inclusive, da Lei que abriu o espaço para privatizar o Sistema Telebrás e nos projetar aos dias de hoje com a quantidade de telefones que nós dispomos no País com o acesso que dispomos no País. Finalmente, vivemos um mandato muito ruim no final do milênio passado, que foram as crises internacionais que nos alcançaram e vivemos um período de manutenção de governabilidade.

Porém, no início deste milênio, a grande tristeza da minha vida foi ver o Foro de São Paulo assumir com as suas ideologias o Governo do Brasil. Esta história recente, todos aqui viveram, foi de muita tristeza. Passamos para a oposição e lutamos dentro do que era possível fazer, mas, infelizmente, assistimos com tristeza a devastação ética e moral durante 13 anos em nosso País. Durante 13 anos vimos o aparelhamento do Estado Brasileiro, que é a situação que vivemos nesse momento.

Senhores, colegas parlamentares, felizmente esse processo foi interrompido. E recentemente a Nação Brasileira restaurou no coração a esperança e trouxe uma nova oportunidade e uma chance para o nosso País com o Presidente que vai tomar posse dentro de alguns dias, no dia primeiro do próximo ano.

Este é um momento de alegria. Vamos reescrever essa história. Eu tenho esperança de que nós possamos aproveitar esta chance de levar o Brasil a recuperar todo o tempo perdido neste milênio desastroso que viveu sob a égide do Foro de São Paulo e do lulopetismo e seus aliados em nossa Pátria.

Vamos trabalhar. E eu convoco todo este Parlamento para que tenhamos um momento de reflexão e de solidariedade com a Nação Brasileira, majoritariamente conservadora, e que neste momento começa a assumir essa nova posição. Vamos recuperar os nossos valores históricos culturais. Vamos recuperar a economia do nosso País. Vamos recuperar a felicidade do povo brasileiro.

Não é possível, senhor Presidente, colegas parlamentares, suportar mais esta situação que nos abate tanto. Então eu queria, na outra Casa, me colocar à disposição de todas as pessoas de bem e de boa vontade para que nós possamos construir esta nova caminhada. Uma caminhada que conduza o povo brasileiro à felicidade, que conduza o povo brasileiro à alegria que foi roubada durante estes últimos anos de Governo.

Muito obrigado.

Eu sou grato a Deus e à generosidade do povo brasileiro.

Brasil acima de tudo e Deus acima de todos. Que Deus os abençoe.

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